Este seria um texto político, se não fosse um texto para um tempo de luto. As tardes são eufóricas, a grande festa -- desconheço o calendário -- no Santuário Hindú do Lumiar, uma longuíssima conversa no Hospital da Força Aérea sobre o Final dos Tempos, o horror da mestiçagem lusitana, num arraial de... não me apetece dizer onde, e a lua, em minguante, e a tremenda suspeita de que a próxima lua cheia trará transtornos muito para além do que possamos imaginar.
A Europa está acéfala: treme, como estrebucham os guilhotinados, durante o Terror. Num disparate qualquer publicado no "Diário de Notícias", diz-se que Sarkozy herda uma crise gerada pela Irlanda. Só a própria inversão dos termos dá a dimensão do Dislate. A verdade é outra: a rasteira irlandesa foi uma nódoa imprevista na passadeira vermelha pela qual Sarkozy, uma figura indigna de Grandes Épocas e adequada a períodos de luz crepuscular, se preparava para caminhar. Sarkozy, com os seus permanentes tiques (coca?) parece um disléxico físico, e irá arrastar para a sua dislexia mais três meses de agonia da Europa, durante os quais teremos um colapso das Bolsas, um choque petrolífero, um crime, em Pequim, e diversas explosões sociais, em mancha de óleo.
As primeiras vocês já sabem o que são, a última reservo-me o direito de a explicar: num crescendo de gentes sem expectativas, num acrescer das massas sem nada a perder, findado o Futebol, blindada a Droga, pelo exaurir dos recursos, caída a trincheira em todos os álcoois, mesmo cortada a Net, por falta de pagamento, sem crédito nos telemóveis, separada a geração a quem tinham prometido o "Dolce Fare Niente" dos meios para o consumar, vai-se abrir uma guerra sem frentes de batalha específicas, acéfala de ideologias e objectivos, e marcada pelo nihilismo da destruição dos bens materiais.
O teu inimigo, Cidadão dos Próximos Meses, é aquele que (ainda) detém mais do que tu, e que tu executarás impiedosamente.
Não se iludam: não haverá defesas. Os bandos, em fúria, assanhados pela Lua e pelos calores do Estio, enlouquecidos pelos fumos dos incêndios que nenhuma viatura já conseguirá apagar, começarão a queimar tudo em seu redor, matarão o primeiro inimigo, e todos seremos inimigos uns dos outros, e vandalizarão, tão só porque sim, porque isso erguerá os níveis da adrenalina a todos os zénites, e o Mundo, que esta gente esgotou em comparações com estádios de futebol, será imerso em marés de "hooligans", sem jogos, mas necessidade de destruir. A Roma tardia sabe o que isso lhe custou, e Teodora reconstruiu Constantinopla depois da Revolta de Niké, uma porcaria equivalente a um jogo entre os suburbanos de um qualquer dos Clubes do Pé nacionais.
Não, nada disto é interessante: é uma sociedade que vai estagnar, parando, como na ficção científica, aos poucos. Deixaremos de comunicar por telemóveis, por sms e por Internet. A televisão será racionada, assim como os períodos de fornecimento de electricidade. Não por acaso, as noites de Lisboa são agora mais iluminadas pelas luzes azuis dos carros de Polícia do que pelos postes de iluminação.
A Medusa herdada desse homem miserável que está no Palácio de Belém, um dos momentos mais baixos da já pouco venerável República, é um país de más estradas, de estradas onde se pilhou quanto se pode, e se cometeu o erro, fatalíssimo, herdado daquela bruxa inglesa, uma sopeira -- lembro-me de a ver, numa velha foto, a preto e branco, numa "chaise- longue", exactamente na posição da "Olympia" de Manet, mas nada da pose e olhar seguro de Victorine Meurent, a modelo do artista, mas no único olhar que ela poderia deter, a de uma porteira inglesa, má nota -- e que iria acabar em Baronesa Tatcher, depois de lançar a Inglaterra nas trevas do Neo-Liberalismo. Essa mulher, uma espécie de Ferreira Leite do Obsceno, escaqueirou a rede ferroviária inglesa, poderosíssima, e herdada da Revolução Industrial, coisa que o Filho do Homem da Bomba, na sua infinita saloice, imediatamente importou para cá, -- releiam a célebre entrevista -- isolando o país, através de estradas, coisa que, se tivesse lido Clausewitz, foi um erro fatal: todos os estrategas da Guerra sabem, que, em caso de confronto, têm de estar salvaguardadas várias, ou, pelo menos, uma via de retiro, em caso de derrota. Como diz Diderot, "levará um século inteiro a reparar um só mal de uma década", mas espero que seja o Cavaco ainda em vida a pagar todo o mal que nos fez.
Um país, no qual subitamente se decidam bloquear as estradas, não tem possibilidade de recuo, aviões em terra, pela escassez e carestia dos combustíveis, e destroçado nos seus nós ferroviários. Como ciganos, recuaremos a um atroz medievalismo, de mulas atravessando riachos, e levando semanas a abastecer uma sociedade isolada, esfomeada e desestruturada.
Dois seres lastimáveis, um, mais do que o outro, porque suponho António Costa uma mente brilhante, brilhante ao ponto de Sócrates, um medíocre, oportunista e capaz de tudo, o ter empurrado para a prova de fogo da Câmara de uma cidade que vai explodir; o outro, Rui Rio, que tem tudo estampado na cara, regressaram, depois de terem ido, a Bilderberg.
Portugal tem sido o banco de ensaios de muita coisa, e todo o protagonismo, perdão, o pseudo-protagonismo dos últimos anos não foi ingénuo: este ex-país foi o cenário ideal para ver como se poderia gerir uma Europa futura, com baixos salários, baixíssimas qualificações, e altíssimos níveis de resignação e uma estrutura cultural baseada na inveja dos pequenos valores e no masoquismo do suportar das situações extremas, coroado por adrenalinas futebolísticas.
Há limiares abaixo, ou acima, como queiram, dos quais a coisa estoira, e uma enorme barreira de betão, à beira-mar plantada, cheia de "hooligans", sem emprego, sem casa, sem dinheiro para a gasolina dos "racings", com o sexo racionado, sem comida, com os últimos euros dissipados em garrafas de cerveja e vinho rasca, milhões, acotovelados em redor de ondas brandas, cheias de lixo de garrafas de plástico, de "cotonettes", de preservativos e "tampax", sem nada para onde se virarem, poderiam ser um perigosíssimo exemplo para uma explosão generalizada da Margem Oriental do Oceano do Ocidente...
Nada disso convém à Nova Ordem, e, embora eu suponha que tarde demais, foram chamados ao Santo dos Santos. Sei, mas eles não sabem, que o tempo já passou, e já não estão à altura da tarefa: a Coisa já ultrapassou os limites do dominável: é o limite da Catástrofe da Cúspide, de Thom, no seu patamar de derivação dz/dxdy=0, ou seja o Máximo Absoluto que antecede o imediato precipício.
Nem os cavalheiros António Costa, nem o medianíssimo Rui Rio alguma vez perceberão o que isso quer dizer, mas ISSO aí está, justamente no período em que Portugal precisaria de grandes políticos, à altura de um Desastre Incomensurável: esses políticos, de polichinelo, chamam-se Aníbal, Ferreira Leite, e o "Zé", da "Independente", pelo que a coisa vai sobrar, sem "air-bag", mesmo para nós. Um Governo de Idiotas, que mesmo à luz da segurança militar, se esqueceu daquilo que vem em todos os manuais de prevenção: nunca colocar um rio entre um Governo, que, em caso de crise, necessite de fugir do país, e um aeroporto. Era o argumento de ouro para a Ota, seus imbecis, e, felizmente, não se lembraram dele...
Dir-me-ão que, quando a coisa estoirar ainda a Portela estará aberta, sim, estará e haverá Tires, se houver combustível, mas a fuga seria ridícula. Somos pouco de matar, mas, quando matamos... matamos mesmo.
Irei gostar de estar cá, para ver essa Fuga de Varennes, desengonçada, como tudo o que saiu das almas medíocres que nos levaram ao fundo, uma enorme carruagem, detida por massas enfurecidas, com os rostos de Fim do Mundo, à janela: o do Aníbal, de Boliqueime, o da Maria, e a Câncio, no papel de Madame Elisabeth, le petit dauphin, quiçá Constâncio-filho, e Sócrates, como Maria Antonieta, com o seu Axel de Fersen disfarçado de cocheiro, nesta próxima hora de agonia.
O Tratado de Lisboa tinha como obrigatoriedade para a sua aplicação a necessidade de ser ratificado pelos 27 países que constituem a União Europeia. Sem isso não pode ser aplicado. Para o conseguírem esta gente não se coibiu de fazer batota e de ser desonesta. Mentiram, faltaram com a palavra, conspiraram, fizeram um texto que ninguém entendesse, impuseram a sua vontade recusando saber a nossa por referendo. Cedo cantaram vitória num Porreiro pá!.
Lá foi o tratado sendo ratificado de parlamento em parlamento até que chegou o dia da única dificuldade que tinham no caminho; a obrigatoriedade da Constituição Irlandesa que obrigava à realização de um referendo.
Aí não havia volta a dar para poderem evitar a vontade popular.
Os Irlandeses disseram não e o Tratado de Lisboa devia simplesmente ser atirado para o lixo, como disse o Cherne, não havia plano B. Isso era o que devia ter acontecido ontem, mas como a desonestidade desta gente é por demais conhecida, já todos, desde o Engenheiro ao Cherne, passando pelos Sarkozy’s, Merkel’s, e outros Bilderberg que por aí andam, já vieram dizer que as rectificações parlamentares que ainda não e realizaram devem ser feitos. Porquê? Não era obrigatório 27 Sim’s para o Tratado poder existir? Que aldrabices já andam a tramar? Que mentiras se preparam para nos dizer? Não duvido que vão fazer batota, que vão aldrabar o jogo e impor-nos a vontade dos seus Donos. Sabem que descer mais baixo do que aquilo que já fizeram é difícil, mas para seres como eles tudo é possível.
Como ontem, 11-6-2008, tinha previsto, não era possível ao Governo chegar a acordo com os camionistas sem concessões tangíveis. Com a paralisação de três dias, os camionistas conseguiram que o Governo de José Sócrates lhes atribuísse 16 (dezasseis!) contrapartidas para terminarem a paralisação e bloqueio.
O poder socratino funda-se no autoritarismo. Mas quando um poder conclui um acordo com uma organização e fica dependente a sua obediência da ratificação por uma assembleia da organização (o plenário de micro e pequenas empresas de camionagem), perdeu a autoridade e com ela a sua força de governo assente no medo. Não adianta depois a filtragem para os media da atitude de agarrem-me-senão-eu-mato-os, convenientemente posterior à aceitação do acordo pelos camionistas do bloqueio...
Sócrates governa pelo medo, mas já não assusta. O povo perdeu-lhe o respeito. E é tarde para mudar para a magnanimidade e liberalidade porque os governados lembram-se da sua arrogância e crueldade anteriores. Portanto, o povo não se seduzirá pelos cânticos tardios de sereias falsas.
"MINISTÉRIO DAS OBRAS PÚBLICAS, TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES Gabinete da Secretária de Estado dos Transportes
ACTA DE REUNIÃO No dia 11 de Junho de 2008, pelas 16h00, foi realizada uma reunião no Gabinete de Sua Exa. o Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, sito no Palácio Penafiel, na Rua de São Mamede ao Caldas, n.º 21, em Lisboa, em que estiveram presentes: • O Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Eng.º Mário Lino; • A Secretária de Estado dos Transportes, Eng.ª Ana Paula Vitorino; • O Chefe do Gabinete do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Dr. Guilherme Dray; • O Presidente do Conselho Directivo do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, Dr. António Crisóstomo Teixeira; • O Presidente da Direcção Nacional da ANTRAM, Dr. António Mouzinho; • O Secretário-Geral da ANTRAM, Dr. Abel Marques; • O Vice-Presidente da Direcção Nacional da ANTRAM, Sr. Fernando Torres. • O Presidente da Assembleia-Geral, Sr. José Magalhães.
Nesta reunião, foi discutido o pacote de medidas para o sector do transporte rodoviário de mercadorias, que a seguir se enunciam:
a) Indexação do Preço do Transporte ao Preço de Referência do Combustível A presente medida visa criar um mecanismo de indexação do preço do transporte rodoviário de mercadorias ao preço de referência do combustível, tendo em conta que este é o factor que mais influencia o custo final. Deste modo, o preço do contrato de transporte é obrigatoriamente revisto pelas partes sempre que se verificar uma variação superior a 5% do preço de referência do combustível entre: a) O dia imediatamente anterior à celebração do contrato de transporte e a média dos custos do combustível no período compreendido entre o dia imediatamente anterior à celebração do contrato e o dia imediatamente anterior à realização da operação de transporte, caso o contrato preveja uma única operação de transporte; b) O dia imediatamente anterior a cada operação de transporte e a média dos custos de combustível no período compreendido entre o dia imediatamente anterior a cada operação de transporte e o dia imediatamente anterior à operação de transporte antecedente que tenha originado uma actualização do preço do transporte ou, caso não tenha ocorrido qualquer actualização, o dia imediatamente anterior à celebração do contrato, caso o contrato preveja várias operações de transporte. Na falta de disposição contratual que identifique o preço de referência do combustível, este é determinado por referência ao preço médio de venda do combustível ao público divulgado pela Direcção-Geral de Energia e Geologia nos dias imediatamente anteriores à celebração do contrato e à realização de cada operação de transporte. O incumprimento desta medida constitui contra-ordenação punível com coima, cujo processamento é assegurado pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, I.P.
b) Introdução de Prazo de 30 Dias para Pagamento de Facturas Esta medida visa estabelecer um prazo máximo para o pagamento das facturas referentes ao transporte rodoviário de mercadorias, fixado em 30 dias. O incumprimento do prazo de pagamento constitui contra-ordenação punível com coima, a processar pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, I.P.. Não obstante, as partes ficam com a faculdade de fixar outro prazo, de acordo com o resultado negocial.
c) Incentivos Financeiros à Renovação de Frota A presente proposta do Governo consubstancia duas medidas de incentivo à renovação de frotas: • Financiamento do diferencial na aquisição de veículo com norma Euro mais avançada (troca de veículo Euro IV por Euro superior); • Financiamento para reequipamento de veículos, mediante a atribuição de incentivo financeiro para aquisição de filtros de partículas, considerando-se a instalação destes filtros como “rejuvenescimento” do veículo. Esta medida é acompanhada de uma alteração legislativa ao Decreto-Lei n.º 257/2007, de 16 de Julho, no sentido de se considerar “mais novo” para efeito de cálculo da idade média admissível da frota.
d) Incentivo Fiscal à Renovação de Frota Esta medida vem acentuar ainda mais o incentivo que tem vindo a ser concedido aos proprietários de veículos de transporte de mercadorias, público ou por conta de outrem, nas anteriores Leis de Orçamento de Estado, desde 2006, mas desta vez com isenção total de tributação em caso de venda de veículos de mercadorias com peso igual ou superior a 12 toneladas, sempre que a totalidade do valor seja reinvestido em veículos de mercadorias com peso superior a 12 toneladas e com norma ambiental superior ao Euro IV.
e) Incentivo ao Abate de Veículos A presente medida visa conceder às empresas que pretendam reduzir a sua capacidade ou cessar a actividade um incentivo financeiro por cada veículo automóvel pesado abatido, com cancelamento de matrícula, incentivo esse que corresponde ao valor residual do veículo abatido, no mercado de usados. Os veículos a abater devem ter mais de 10 anos e licenciados em nome da empresa candidata ao incentivo, deve ter seguro e inspecção realizada há menos de 6 meses. O incentivo será concedido no pressuposto que a empresa que se candidata não adquirirá veículos novos no prazo de 5 anos para integrar a frota. Em caso de incumprimento desta regra, a empresa beneficiária é obrigada a repor o montante do subsídio concedido.
f) IUC – Imposto Único de Circulação Esta medida visa manter a discriminação positiva que tem sido concedida aos transportadores de mercadorias profissional ou por conta de outrem em detrimento do transporte articular, nas classes C e D, desde o Orçamento de Estado de 2006, prevendo-se que se mantenham as taxas constantes do OE para 2008, nos próximos 3 anos.
g) ISP – Imposto Sobre Produtos Petrolíferos Esta medida visa manter as taxas de ISP por litro de gasóleo nos valores actuais, pelo prazo de 1 ano.
h) Regime Especial de Exigibilidade do IVA Esta medida visa criar um regime especial de entregas de Imposto sobre o Valor Acrescentado para os operadores de transporte rodoviário de mercadorias, por conta de outrem, fazendo coincidir a obrigatoriedade da entrega do Imposto ao Estado com o momento do recebimento da prestação de serviços, ao invés do momento da facturação.
i) Descontos nas Portagens O Governo apoiou as negociações entre a ANTRAM e as concessionárias das auto-estradas, no sentido de obter tarifas com redução nos períodos nocturnos. A proposta apresentada pela BRISA, Auto-Estradas do Atlântico e AENOR passa por efectuar descontos entre 30% a 50%, em função da utilização, desde que as viaturas estejam equipadas com a VIA VERDE, durante o período nocturno (22h às 7h), desde o dia 1 de Julho até ao dia 31 de Dezembro de 2008. A Lusoponte referiu que manterá os descontos actualmente vigentes para a Ponte 25 de Abril, que chegam aos 70% a partir da 12.ª utilização mensal. Relativamente à Ponte Vasco da Gama, a Lusoponte propôs a aplicação de uma redução de 50% durante o período nocturno (22h às 7h), desde o dia 1 de Julho até ao dia 31 de Dezembro de 2008, desde que as viaturas adiram ao VIA CARD.
j) Processo Contra-Ordenacional por Excesso de Carga A presente medida visa alterar o Decreto-Lei n.º 257/2007, de 16 de Julho, que estabelece o regime jurídico de acesso e licenciamento à actividade de transporte rodoviário de mercadorias, no que toca ao processo contra-ordenacional aplicável em caso de excesso de carga, para ultrapassar as dificuldades de interpretação do artigo 31.º, n.º 4. Trata-se de um mecanismo que visa evitar que o transportador seja o único interveniente automaticamente responsabilizado.
k) Majoração de Custos Fiscais – Despesas com Combustível São considerados custos ou perdas do exercício, em valor correspondente a 120 por cento, os custos suportados na aquisição de combustíveis para abastecimento de veículos, desde que o sujeito passivo faça prova de que os mesmos respeitam a bens pertencentes ao seu activo, que tenham um peso igual ou superior a 12 toneladas e que sejam afectos ao transporte rodoviário profissional de mercadorias.
l) Centro de Novas Oportunidades O Centro Novas Oportunidades destina-se a apoiar a melhoria das qualificações dos profissionais do sector ao nível do 9º ano, 12º ano e áreas específicas de formação profissional, através do reconhecimento de competências adquiridas e encaminhamento para as necessárias e adequadas formações complementares. A actividade do CNO desenvolver-se-á em estreita articulação com o IEFP e a ANQ – Agência Nacional para a Qualificação. Data de início: segundo semestre de 2008, de acordo com capacidades e disponibilidades do Centro de Formação da ANTRAM.
m) Aprovação de Programa de Qualificação de Activos, no âmbito do POPH/QREN O programa tem em vista a melhoria da qualificação dos activos do sector ao nível do 9.º ano e do 12.º ano e áreas específicas da formação profissional. O programa articula-se directamente com o Centro de Novas Oportunidades e será constituído por cursos de Educação-Formação de Adultos e Formações Modulares Certificadas. Data de início: segundo semestre de 2008, mediante candidatura da ANTRAM ao POPH e avaliação de mérito.
n) Aprovação de Programa de Consultoria-Formação no âmbito do POPH/QREN O programa tem em vista a melhoria das capacidades organizativas e de desempenho geral das micro, pequenas e médias empresas do sector, bem como a qualificação dos seus activos. O programa será desenvolvido no âmbito de um dos Organismos Intermédios que vierem a ser aprovados e em que a ANTRAM esteja filiada. Data de início: segundo semestre de 2008, mediante candidatura da ANTRAM junto do Organismo Intermédio e avaliação de mérito.
o) Criação de grupo de trabalho MTSS-MOPTC-ANTRAM para avaliação de propostas de adaptação de legislação laboral às especificidades do sector Data de início: de imediato.
p) Criação de um grupo de trabalho ANTRAM-Sindicatos-MTSS para avaliação de propostas de conformação dos pagamento de ajudas de custo em matéria de protecção social Data de início: de imediato, de acordo com disponibilidade de Sindicatos e ANTRAM.
Primeiro, os pescadores; depois os transportadores, e outros sectores atingidos se seguem. De derrota em derrota, Sócrates vai levando o País ao desastre económico e social.
A paralisação dos camionistas portugueses, que dura desde as 0:00 de segunda-feira, 9-6-2008, é apenas mais uma revolta corporativa de uma sequência que não abrandará até ao fundo do vale da depressão económica que o mundo não produtor de petróleo e de salários altos conhece e com consequências bastante mais graves em Portugal, por causa da política absolutamente errada de José Sócrates que afundou a economia nacional no absurdo contraciclo da sua política financeira autista. De que serve a alguém ter a "casa arrumada" (Sócrates, em 29-3-2008 em Mortágua) se estiver desempregado e a família passar fome?...
A paralisação é desagradável, mas quando o "desespero campeia", como refere José Maria Martins, a "desobediência civil" parece a única saída para os camionistas das micro e pequenas empresas que constituem o grosso do sector dos transportes de mercadorias. Estes mantém os protestos, apesar da falta de solidariedade dos donos das grandes frotas que controlam a ANTRAM (só a TAS do presidente da ANTRAM António Mousinho tem "uma frota própria superior a 200 veículos") e arrasam o sector no dumping dos preços dos fretes - ainda hoje, 11-6-2008, ouvia no programa Opinião Pública da SIC-Notícias uma gestora de frota dizer que uma grande transportadora, a Álvaro Figueiredo, cobrava apenas 450 euros para um frete Lisboa-Madrid. Devido à atomização e independência tradicional do sector, é muito mais difícil conseguir um acordo com as suas corporações - a associação empresarial ANTRAM e o sindicato FESTRU (ligado à CGTP) -, que não têm tropa de choque obediente com penetração e dimensões suficientes, como a CGTP-PC teve no protesto dos professores, para abafar os protestos independentes e vender os trabalhadores num acordo manhoso com o Governo. Isto é, a desmobilização dos trabalhadores só parece possível com concessões tangíveis e igualitárias, sem a troca suja de compensações políticas externas aos interesses dos próprios.
Como outras revoltas anti-sistémicas, esta nasce da base e despreza os compromissos dos sindicatos e associações oficiais que vivem na habitual cumplicidade com o poder. O poder embrulha os representantes das classes profissionais no maço da folha de apoios e os trabalhadores e elementos de base são vendidos em acordos que os prejudicam. Os compromissos dos representantes, que na verdade passaram para o lado do poder, impedem-nos de afrontar o governo e cedem, mediante a oferta de cerejas que encimam os seus bolos.
O governo de Sócrates já tem a morte marcada: o seu governo é apenas um "cadáver adiado" que nem procria.
Paradoxalmente, a economia está a ser o carrasco da sua política ultra-capitalista e de promiscuidade com os grandes grupos económicos:
o petróleo continua a subir (133,00 dólares às 12:31 de 11-6-2008), de patamar em patamar, dois passos acima e um para baixo;
o dólar deixou de descer (1,5493 dólares/euro às 12:31 de 11-6-2008) - já nem o negligente ministro das Finanças Teixeira dos Santos despreza, como fazia, a subida do petróleo acompanhada pela depreciação do dólar...
Mas como dizia, o meu professor Jorge Vasconcellos e Sá, "estas são as boas notícias"!... As más notícias é que no Outono de 2009 estará muito pior. José Sócrates arrisca-se a levar o Partido Socialista a um resultado pior do que o dr. Almeida Santos em 1985 (20,77 %), com o Bloco de Esquerda de Louçã na posição do PRD.
A partir de agora, importa preparar o futuro do País após a desgraça socratina que nos aconteceu.
CASTELO DE VIDE: PARALIZAÇÃO DE CAMIONISTAS JÁ SE FAZ SENTIR
Apesar do grupo Jerónimo Martins, proprietário do grupo Pingo Doceter contratado a GNR/BT para fazer segurançaaos camiões alugados por este grupo alimentar, furando de forma ilegal o bloqueio dos camionistas em Portugal, o supermercado Pingo Doce de Castelo de Vide está a ser muito afectado pela falta de produtos frescos.
A fruta, as verduras, o peixe, a carne e outros produtos frescos já faltam nas prateleiras e bancas do supermercado Pingo Doce.
A CÂMARA MUNICIPAL DE CASTELO DE VIDE PREPARA-SE PARA ROUBAR OS CONSUMIDORES DO MUNÍCIPIO DE CASTELO DE VIDE
Atenção consumidores de água do concelho de Castelo de Vide, a Câmara Municipal de Castelo de Vide prepara-se para vos roubar.
Tenham muita atenção ao vosso recibo da água.
A nova lei, que entra em vigor a 26 de Maio, criou mecanismos para proteger o utente de serviços públicos essenciais.
Nesse sentido, proíbe a cobrança custos associados ao equipamento.
Por outro lado define que "não constituem consumos mínimos as taxas e tarifas devidas pela construção, conservação e manutenção dos sistemas públicos".
A entrada em vigor da lei que proíbe a cobrança dos contadores vai alterar a factura mensal dos consumidores de água, se isso não acontecer é porque a Câmara Municipal de Castelo de Vide está a roubar os munícipes.
No circo de alucinados em que este país está transformado vamos ter que aturar durante pelo menos um mês, as aventuras da selecção nacional do senhor Scolari. Há pouco vejo televisão( sim, eu confesso: eu também vejo televisão).
Repórteres vibrantes falam desde Viseu, essa terra de labregos e homofóbicos provincianos entre muitas outras coisas que se poderiam dizer de mal, acerca de Viseu, e os repórteres mostravam, extasiados, o hotel de 5 estrelas onde os “eleitos de Scolari” - esses pseudo deuses semi aparvalhados iriam pernoitar, ir á casa de banho, etc.
Como se aquilo tivesse qualquer tipo de interesse ou relevância de qualquer espécie.
Depois, existiu o número de circo dos vigaristas que é aquilo que, como povo ( já hesito em chamar a isto um povo, mas enfim…) nós somos.
4 simpáticos rapazes, sem dúvidas, suponho eu, daqueles que estiveram ontem a benzer as fitas ou as pastas ou lá o que é, numa qualquer reitoria de uma qualquer Universidade, que, criativamente , pintaram um carro com as cores da selecção, ficando a parecer um repolho ou uma alface vermelha, amarela e verde e foram até Viseu.
Para apoiar a “selecção”.
Em troca do “apoio à selecção” e no espírito da mais honesta e desenvolvida mentalidade baseada na corrupção tipicamente portuguesa, disseram que faziam “esta iniciativa” porque pretendiam obter bilhetes para estarem na Suíça a “apoiarem a nossa selecção”.
Confesso que fiquei com os olhos marejados de lágrimas perante tanta demonstração de patriotismo desinteressado. Os nosso briosos jovens argumentaram que “quisemos comprar bilhetes mas não conseguimos”.
O “não conseguimos ” - que não era dito na pseudo peça jornalística - deverá ter algo - concerteza - RELACIONADO com o preço dos mesmos.
Mas ali era dito - quase de forma épica - que não conseguimos porque (subentendia-se) forças antipatrióticas, novos adamastores neo góticos, tinham irrompido pelas bilheteiras da Uefa e impedido estes bravos patriotas de adquirirem os bilhetes.
Que grande treta corrupta esta…
Mais ainda os “jovens” ( concerteza ganharão um prémio de empreendedorismo naquele programa cretino da RTP 2 que se chama Audax…) estavam também com as caras pintadas ao estilo da selecção.
Numa flagrante violação e usurpação de funções de tarefas desempenhadas primariamente por palhaços.
O sindicato dos trabalhadores humoristas - circenses que se ponha em campo para averiguar da legalidade desta situação.
Depois ainda existiam mais coisas pitorescas e igualmente estúpidas que nem sequer fixei, e nem sequer estou interessado em fixar.
O circo chegou e é mais estúpido que alguma vez tenha sido.
Temos também, e depois a vigarice institucionalizada que é praticada com o dinheiro de todos nós e que se pode encontra neste sítio Internet chamado “sócio da selecção”.
É uma proposta vigarista feita por uma entidade que já tem imenso dinheiro, é considerada de utilidade pública - ou seja, recebe dinheiro do Estado, e decidiu conjuntamente com o Banco Corrupto Santo, criar uma vigarice legal e cheia de esquemas chamada “cartão de sócio” da selecção.
Julgava eu, que, pelo simples facto de nascer neste país obtuso e corrupto, isso me garantia ser adepto da selecção de futebol.
Verifico que não. Verifico que sou convidado - sob pena de ostracismo social e discriminação - à boa maneira do fascismo mais abjecto a pagar para ser adepto (neste caso sócio) desta coisa asquerosa em que está transformada a selecção nacional de futebol.
Na publicidade asquerosa da página da FPF diz-se que:
“Ao tornar-se Sócio da Selecção, beneficia de vantagens exclusivas e completamente gratuitas:…”
“…O estatuto de sócio da Selecção e o respectivo cartão são totalmente gratuitos. A eventual activação de funções financeiras - pré-pago (débito) ou crédito - depende exclusivamente da vontade do sócio que, para o efeito, terá de dirigir-se a um balcão BES.”
Sou convidado, a ser “sócio de algo” que já me pertence por inerência, e por via deste fantástico convite de privatização de uma ideia, que, supostamente já seria aquela à qual pertenceria, sou ainda convidado a aderir a um cartão de sócio, isto é, um cartão de crédito do Banco Corrupto Santo, que apenas funcionará , nas suas funções financeiras , isto é, nas operações financeiras que eu faça, desde que eu o active junto do BES, tornando-me na prática, cliente de um Banco.
Afinal, estou a ser convidado a ser adepto de algo (do qual já sou por inerência isso mesmo) ou estou a ser arregimentado usando-se o nome da selecção, e por via disso mesmo , o nome de Portugal, da pátria para que o banco corrupto Santo arranje mais clientes?
É que o cartão é inútil sem eu me tornar cliente do BES.
Mas ainda se diz mais com o maior descaramento e com a maior lata possível:
“…Por isso já sabe, para apoiar a selecção, não basta gritar,saltar e erguer o cacheco. É preciso ser sócio. Viva Portugal!”
Não, federação , banco corrupto santo e demais patrocinadores, não sei. Sou demasiado estúpido para saber.
Em primeiro lugar não sei o que é um “cacheco”.
Já que fazem páginas para vender vigarices ao menos convinha não darem erros destes. Depois querem que eu pague uma anuidade de 25 euros porque não chega saltar, gritar e erguer o cacheco?
Grande renda, não?
Estou a pagar de facto a anuidade ao Banco corrupto Santo em troco de absolutamente nada?
Então e a ideia de pátria?
Ah, é verdade, o dinheiro não tem pátria, não é?
Pois.
Ok, conseguiram arranjar um não adepto da selecção. Muito obrigado.
Prefiro patrocinar a campanha “Dê um traque em honra da selecção”. E habilitar-me a inúmeros prémios, especialmente o prémio da minha sanidade mental estar salvaguardada
Num "country" que já inventou o guia de boas prácticas para deputados seria da melhor oportunidade criar boas práticas para o energúmeno que fuma a bordo de aviões, que afirma desconhecer a lei e dá desculpas tão esfarrapadas que se fica com a impressão que ele julga estar a lidar com cidadãos idiotas...
Mais um exemplo de como a corja que pastoreia o rectângulo se arroga previlégios que não são permitidos ao comum dos cidadãos... e, pedidos de desculpas não resolvem nada! Quanto ao fumo do sr. Pinho, esse está desculpado por natureza: os casos psiquiátricos tem uma excepção na lei que lhes permite fumar... talvez mesmo a bordo de aviões...
Em 6 dias um médico Espanhol operou tanto como 5 (cinco) médicos Portugueses num ano e por metade do preço cobrado na privada. Espero que entendam bem porque é que existem listas de espera no que concerne a operações de oftalmologia!...
Em seis dias, um oftalmologista espanhol realizou 234 cirurgias a doentes com cataratas no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, num processo que está a "indignar" a Ordem dos Médicos.
Os preços praticados são altamente concorrenciais, tendo sido esta a solução encontrada pelo hospital para combater a lista de espera.
O paciente mais antigo já aguardava desde Janeiro de 2007, tendo ultrapassado o prazo limite de espera de uma cirurgia. No ano passado chegaram a existir 616 novas propostas cirúrgicas em espera naquela unidade de saúde.
Os sete especialistas do serviço realizaram apenas 359 operações em 2007 (cerca de 50 por médico num ano).
No final do ano passado, a lista de espera era de 384, e foi entretanto reduzida a 50 com a intervenção do médico espanhol.
A passagem pelo Barreiro durante o mês de Março - onde garante regressar nos próximos dois anos, embora o hospital não confirme - foi a segunda experiência em Portugal do oftalmologista José Antonio Lillo Bravo, detentor de duas clínicas na Extremadura espanhola - em Dom Benito (Badajoz) e Mérida. Entre 2000 e 2003 já havia realizado 1500 operações no Hospital de Santa Luzia, em Elvas, indiferente às "críticas" de que diz ter sido alvo dos colegas portugueses.
"Eu percebo a preocupação deles e sei porque há listas de espera tão grandes em Portugal. É que por cada operação no privado cobram cerca de dois mil euros", diz ao DN o oftalmologista espanhol, inscrito na Ordem dos Médicos portuguesa, que cobrou 900 euros por cada operação realizada no Barreiro.
As 234 cirurgias realizadas no Barreiro, por um total de 210 mil euros, foi o limite possível sem haver necessidade de abrir concurso público internacional, sendo que o médico fez deslocar a sua equipa e ainda o microscópio e o facoemulsificador. O hospital disponibilizou somente um enfermeiro para prestar apoio.
CASTELO DE VIDE: MAIS DA CORJA SOCIALISTA CÁ DA VILA
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Repare-se no cartaz da conferência Transformações da paisagem o impacto das cidades romanas no Mediterrâneo Ocidental não há qualquer referência ao tal Centro de Formação Avançada Mouzinho da Silveira, ao que parece designa-se agora Pólo da Universidade Évora.
E já agora os novos cursos tão amplamente apregoados.
Na página oficial da Universidade de Évora não há qualquer referência ao apregoado Mestrado em Enfermagem (pura e simplesmente não existe).
Quanto ao Curso Preparatório de Matemática, agendado para depois da Páscoa (a que Páscoa se referem?).
Continuam tomar-nos por ingénuos, mas a uns mais que outros.
A CORJA DO PS GOVERNA MUITO BEM E O POVO EMIGRA...
E o que estão lá a fazer, 5 milhões de Almas Lusas, por esse mundo fora?
Eu explico:
- Estavam fartos do bom tempo, das praias do Algarve e dos campos de golfe portugueses. - A vida já não lhes dizia nada.
- Decidiram descobrir as dificuldades com que lutam os desprotegidos países nórdicos, para poderem dar o devido valor à sorte com que foram bafejados por terem nascido neste Jardim à beira mar plantado. Enfim: ócio a mais, dá nisto...
Hoje li a barbaridade que a senhora ministra da Educação soltou sem pensar (fugiu-lhe a boca pra verdade). Será que alguma vez pensou? Ela disse alguma coisa como os chumbos custam caro ao país...cerca de 60o milhões ano...
AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Agora percebi todas estas trapalhadas com as lutas contra os professores...
POUPAR...POUPAR...POUPAR.
Aprender não interessa nada.
O importante é poupar!!!
Li depois um comentário de um cidadão que se intitulou de José Burra:
Finalmente disse o que lhe vai na cabeça e o que já todos sabíamos. Para este governo tudo é dinheiro e vale tudo para poupar. Cortem nas quimioterapias por que dão prejuízo e as pessoas morrem na mesma!! Votem PS!!!
Foram ontem apresentadas as novas propostas do Governo para alterar a lei laboral. A intenção, dizem eles, é flexibilizar mais os horários de trabalho e lutar mais contra o trabalho precário. Desta vez não estão a mentir. Ainda não li todas as mediadas de flexibilização que propõem e só conheço aquelas que foram faladas nas noticias.
Nesta flexigurança à portuguesa a flexibilidade parece estar lá toda, não me lembro é de ter ouvido falar nada da parte da segurança. Luta-se contra a precariedade do emprego dizem. Quem tiver trabalhadores a prazo ou pagos a recibo verde vai ter de descontar para a segurança social uma parte do que antes era suportado pelo trabalhador. Parece fixe, não parece? Para a combater ainda mais esse flagelo, até vão dar benefícios fiscais às empresas que só tenham trabalhadores com contrato definitivo. Também parece bom, não parece? Só que nem sempre o que parece é, porque se pensarmos um bocadinho podemos perceber que tornando o despedimento livre, acaba para os patrões a necessidade de fazerem contratos a prazo. Todos passamos a estar contratados a prazo, ao prazo que o patrão quiser e desejar. Não lhe lambeste bem as botas, rua. Queres o quê? Aumentos? Rua. Hoje não podes ficar a trabalhar até mais tarde porque tens que ir buscar os teus filhos à escola? Rua. Não admira que os patrões gostem da ideia e aplaudam as medidas do governo. Passam a ter todos os trabalhadores com a prática dos precários e ainda vão ganhar uns benefícios fiscais. Agora está na hora de ir ler a proposta desta lei e começar afazer contas à vida. Não ao dinheiro, que esse já é pouco e já sabemos que não chega ao fim do mês, mas ao que vamos ter de fazer no trabalho e quais os direitos que vamos deixar de poder usufruir. Não por serem proibidos mas porque podem irritar o patrão.
Que adianta dizer-se que é um país de sacanas? Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas, e todos estão contentes de se saberem sacanas. Não há mesmo melhor do que uma sacanice para poder funcionar fraternalmente a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais, para além das rivalidades, invejas e mesquinharias em que tanto se dividem e afinal se irmanam.
Dizer-se que é de heróis e santos o país, a ver se se convencem e puxam para cima as calças? Para quê, se toda a gente sabe que só asnos, ingénuos e sacaneados é que foram disso?
Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora. Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice, porque no país dos sacanas, ninguém pode entender que a nobreza, a dignidade, a independência, a justiça, a bondade, etc., etc., sejam outra coisa que não patifaria de sacanas refinados a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio? Não, que toda a gente já é pelo menos dois. Como ser-se então nesse país? Não ser-se? Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia. Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.
Registe-se mais este caso. O governo do Partido Socialista de José Sócrates é outra vez acusado de perseguição da liberdade de expressão.
Mas a vingança do poder é uma ofensa intolerável à democracia e, mesmo se os órgãos de soberania não a limitam nem reprovam, os cidadãos não a podem admitir.
Há cerca de 32 anos a Constituição da República Portuguesa determinava que incumbia, prioritariamente, ao Estado, «orientar o desenvolvimento económico e social no sentido de um crescimento equilibrado de todos os sectores e regiões», bem como «eliminar progressivamente as diferenças sociais entre a cidade e o campo». Tais objectivos sustentavam-se na existência de um Plano que tinha um «carácter imperativo para o sector estatal» sendo, para outras actividades de interesse público, obrigatória a planificação por via de contratos‑programa.
Passados 32 anos, através de sucessivas e retrógradas revisões constitucionais, a incumbência do Estado foi sendo despudoradamente reduzida e, mais que isso, a norma planificadora e o seu carácter imperativo foram completamente riscados do texto constitucional, para dar lugar, pela prática governamental, à omnipresença da economia de mercado.
O “abaixo a planificação” e o “viva o mercado” foi o hurra! utilizado, em uníssono, pelo PS, PSD e CDS-PP no decurso do processo contra-revolucionário, cujos efeitos são aqueles com que, à vista desarmada, nos confrontamos hoje, no dia-a-dia.
Muitos desses efeitos consubstanciam-se no processo de desertificação do interior do País, na litoralização dos investimentos, na macrocefalia das regiões metropolitanas de Lisboa e Porto e nas assimetrias sociais daí decorrentes, tudo isto em rápida aceleração pelas medidas já tomadas e já anunciadas pelo governo de José Sócrates.
Falemos, então, por agora e apenas, de um desses aspectos: o problema da desertificação do interior do País. Para tal objectivo socorremo-nos dos dados dos Censos de 2001 e da população residente em 2006, estimada pelo INE, constante nos Anuários Estatísticos das Regiões.
A que conclusões chegámos? Às conclusões de sempre, ou seja, estamos perante uma “secagem demográfica”, transversal à maior parte do território, com especial destaque para o Alentejo, Beira Interior e Trás-os‑Montes, sem esquecer outras parcelas de que se salientam o Nordeste dos distritos de Leiria e Aveiro, uma parte importante do distrito de Coimbra (incluindo o próprio concelho), a zona Oriental do distrito de Braga, a parte Norte do distrito de Viana do Castelo e, também, a zona serrana do Algarve.
As grandes linhas da evolução demográfica entre 2001 e 2006 expressam-se como a seguir se descreve.
A DESERTIFICAÇÃO DO INTERIOR
Para se visualizar, em termos espaciais, a dimensão da redução de população aconselhamos a fazer uma ligação entre Castro Marim, no Algarve, até ao concelho de Bragança, em Trás-os-Montes. Pois bem, é possível fazer esse percurso passando, exclusivamente, por concelhos afectados pela redução de população, salvo num pequeno território, a Sul de Évora, formado por Viana do Alentejo, Portel, Reguengos de Monsaraz e Mourão. Mas se o ponto de referência passar a ser Monchique, passando por Alcácer do Sal e, daí, até Bragança, então, tal percurso será, exclusivamente, feito em concelhos que viram a sua população diminuir entre 2001 e 2006. Todo este espaço (mais de 500 Km em linha recta) é o espaço predilecto da desertificação, expresso no facto de 81% dos concelhos do Alentejo, Beira Interior e Trás-os-Montes terem visto, nos últimos cinco anos, uma redução de população que se cifra entre um valor médio de 5,9% relativo ao distrito de Portalegre, até ao valor médio de 0,03% referente ao distrito de Viseu.
Se a estes oito distritos juntarmos o de Coimbra, estaremos a falar de um saldo negativo na ordem dos 47.000 residentes, valor que poderia ser maior não fosse algum efeito positivo na demografia por via da imigração. Mas, atenção: as percentagens atrás referidas referem-se às médias distritais. Se as desagregarmos por concelhos, verificaremos que há quebras superiores a 10%, como são os casos de Alcoutim, Gavião, Fronteira, Almeida, Crato, Mértola, Vila Velha de Ródão, Penamacor, Monchique, Oleiros, Marvão e Alter do Chão.
O distrito de Portalegre aparece aqui extremamente penalizado com a redução de população, o que confere a este distrito, em termos territoriais, a detenção da maior mancha territorial de concelhos com menos de 5000 habitantes, situação só comparável a uma parte do Pinhal Interior. Mesmo em distritos mais próximos do litoral, como são os casos de Coimbra, Leiria e Santarém, há concelhos com perdas elevadas, como sejam, a título de exemplo, os casos de Pampilhosa da Serra, Mação e Castanheira de Pera.
Tais perdas recentes a juntar às das últimas décadas fazem com que a densidade populacional no interior do País atinja os preocupantes 20 habitantes por km2 na Beira Interior Sul, valor que desce aos 19 habitantes por km2 no Alto Alentejo. Se os 19 e os 20 habitantes constituíam, em 2006, a densidade populacional em certas regiões do País, o que não será após a governação do PS como resultado do encerramento de escolas, centros de saúde, maternidades, esquadras da PSP e da GNR, tribunais, postos dos CTT? Se a tudo isto juntarmos as consequências do abandono das terras, do encerramento de industrias tradicionais e da deslocalização do parco tecido produtivo, que futuro se augura para as respectivas populações onde, comparativamente à média nacional, se praticam dos mais baixos salários e das mais baixas pensões de reforma?
Em contrapartida assiste-se a uma elevada densificação preocupantemente expressa nos concelhos de Odivelas e Amadora com, respectivamente, 5652 e 7338 habitantes por km2, onde, a título de exemplo, muitíssimos jovens casais têm de suportar vultuosos encargos financeiros pela colocação dos seus filhos em creches privadas, dada a omissão do Estado nesta importante área social.
O efeito conjugado destas duas situações permite concluir que, a pretexto da desertificação, se encerram os serviços públicos, mas o contrário, o aumento populacional, já não serve de pretexto para o desenvolvimento das funções sociais do Estado.
1 – A DESERTIFICAÇÃO DOS CONCELHOS DE LISBOA E DO PORTO
A par da desertificação do interior há a registar o esvaziamento das cidades – em especial dos seus cascos históricos – de Lisboa e Porto, com perdas, respectivamente, de 54.906 e 35.341 residentes, o que as coloca no topo da descida de população, quer em termos absolutos, quer em termos relativos, valores muitíssimo superiores aos verificados nos concelhos do interior do País. Com efeito, o Porto detém a mais alta percentagem de redução de população entre 2001 e 2006, qualquer coisa como 13,4%, cabendo a Lisboa a percentagem de 9,7%. A cidade do Porto é, pois, um caso a ter em consideração na medida em que, se os próximos cinco anos forem idênticos aos últimos cinco anos, tudo indica que a sua população descerá abaixo da fasquia dos 200.000 habitantes, valores próximos daquilo que será a população dos concelhos de Cascais, Loures e, eventualmente, do Seixal.
2 – O CONTRAPONTO DA DESERTIFICAÇÃO DE LISBOA E PORTO
Ao mesmo tempo que se assiste ao progressivo e constante esvaziamento populacional de Lisboa e Porto assiste‑se, reflexamente, numa espécie de jogo de verso e reverso, ao vertiginoso aumento da população dos concelhos limítrofes, designadamente em redor de Lisboa, num arco que começa em Sintra, vai até Alenquer, passa por Vila Franca de Xira, desce por Benavente e Palmela e termina em Sesimbra e Seixal. Estamos a falar da região que mais tem crescido, sobretudo em Sesimbra, Alcochete e Mafra, com percentagens elevadíssimas, na ordem, respectivamente, de 28%, 24% e 22%, isto num reduzido espaço de cinco anos. Em termos absolutos, os maiores aumentos referem-se a Sintra e ao Seixal, com mais 64.721 e 20.355 habitantes, respectivamente. Um outro aspecto a ter em conta reside no facto de o aumento populacional tender a distanciar‑se cada vez mais de Lisboa, em duas direcções: uma, a Norte, englobando concelhos como Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço e o já referido concelho de Alenquer; outra, a Sul, de que Sesimbra é o caso mais emblemático.
Esta dicotomia, a redução de habitantes em Lisboa e o aumento da população nos concelhos limítrofes, constitui a prova provada da irracionalidade de um sistema que obriga milhares de pessoas a abandonar os seus lares, obrigando‑os, depois, a regressar para o exercício de uma actividade laboral. É esta “expulsão” e é este “regresso” que impõem os movimentos pendulares de casa-trabalho-casa, com tudo o que isso significa de prejuízo, em todos os planos, designadamente no âmbito financeiro e na qualidade de vida.
Para fazer face a este movimento pendular, os nossos impostos, em vez de potenciarem o aparelho produtivo, foram canalizados para se construírem as circulares, as vias rápidas, os itinerários principais e complementares, a CRIL, a CREL, as auto-estradas, os viadutos, os aquedutos, as rotundas, as radiais, as passagens superiores e inferiores, sem que nenhuma delas tenha, a médio e a longo prazo, resolvido, de uma forma definitiva, as filas e a redução do tempo de transporte.
Tais investimentos, sem consequências eficazes em termos geracionais, faz lembrar a história do burro e da cenoura, pela qual o simpático asno, por mais que corra, nunca conseguirá alcançar o almejado, ou seja, comer a cenoura, porque, estando a mesma na ponta de um pau amarrado à cabeça do burro, a cada passo deste corresponde, também, um passo adiante da cenoura.
Para fazer face, tornamos a insistir, a este movimento pendular investiu-se milhões e milhões de euros em material circulante, em infra‑estruturas, estimulou-se o uso do transporte privado, transformou-se, em todo o país, desde 1956, segundo um artigo publicado em 23/2, no Expresso, assinado por Teodósio Salgueiro, 1,77 milhões de hectares de terrenos agrícolas em espaços urbanizáveis, construíram-se casas novas para muitas das quais não há compradores, ao mesmo tempo que estão ao abandono dezenas de milhar de habitações antigas à espera da derrocada final para, em seu lugar, haver uma maior área edificada, densificando‑se o espaço e, com isso, aumentar exponencialmente os lucros. Eis, por um lado, em todo o seu esplendor, para bem do capital, o endeusamento do mercado e, por outro, para mal do país, as consequências do ódio à planificação, a qual, a não ter sido riscada da Constituição e a ter sido concretizada, teria contribuído para a existência de um outro País: mais equilibrado, mais coeso, mais justo.
3 – AS REGIÕES COM MAIOR ATRACÇÃO POPULACIONAL
No conjunto dos 18 distritos do continente assume especial relevância o que se passa nos distritos de Faro e Setúbal, aqueles que entre 2001 e 2006 mais cresceram, percentualmente, em termos de população residente: cerca de 6,7% e 7,3%, respectivamente. Se neste último distrito desagregarmos a parte peninsular da parte do território inserido no Litoral Alentejano, aquela percentagem ainda será maior. É preciso, pois, estarmos atentos ao distrito de Setúbal, cuja população tenderá a aumentar, devido aos previstos investimentos no novo aeroporto, no TGV, nos megalómanos núcleos turísticos a implementar entre Tróia e Sines e na instalação de importantes centros logísticos, contribuindo para que o distrito de Setúbal passe, no País, a ocupar o 3.º lugar em termos de habitantes. Tal aumento acarreta, obviamente, consequências no plano dos serviços públicos, designadamente nas escolas, creches, centros de saúde, hospitais, lares, centros de dia, nas forças de segurança e tribunais. O caso do prometido hospital a localizar no concelho do Seixal é paradigmático de como os governos do bloco central não compaginam a evolução do número de pessoas com as adequadas infra‑estruturas sociais, ou seja, o Poder que contribui para a desertificação do interior é o mesmo que não compatibiliza as funções sociais do Estado com o crescimento populacional dos concelhos limítrofes de Lisboa e Porto. Para se perceber a omissão do Estado naquilo que devia ser uma preocupação de adequar a natureza e a qualidade das instituições públicas à realidade demográfica, nada melhor do que salientar o caso do